domingo, 26 de abril de 2015

Tempo da mata

Nas[cimen]terra criou
humanos humanos, ou
caras pálidas
caras pálidas

La se vai nu igarapé
tempo do leito que é
nada cabe ali
nada a caba ali

Visagem vê outro lá
muage tem muito lã
ruido, trovão
novo mundo airão
rompe o novo chão.

Nenhum nem outro


Nenhuma porta é tão forte que permaneça trancada. Nenhum vão é tão estreito que possa ser em vão. Nenhuma palavra é certa, como nenhuma cor permanecerá. Nenhum verde é tão verde que possa ser amarelo, e nenhum elo é tão seguro, como nenhum sentimento é digno de nao ser sentido. Nenhum caos é digno de ajuste, como nenhuma hora é certa. Nenhuma visão é tão real e nenhuma realidade é digna de ver com um só olho. Nenhum ser é único, como nenhuma unidade torna a ser unidade. Nenhuma resposta é aquela que se espera. Nenhuma culpa é maior do que a de se ver culpado. Nenhum lugar é tão perfeito, como nenhuma imperfeição é maior do que a do amor. Nenhuma vergonha é maior que a vergonha de ser sem vergonha. Nenhuma fala é preciso, como nenhum raio cai no mesmo lugar. Nenhuma linha é tão reta que não pare numa curva. Nenhum ser poderá ser de luz, quando não souber como ascender. Nenhuma iluminação é tão clara, que não se cegue. Nenhuma  brecha é tão larga que não se possa ver com dois olhos, nenhum som tem a mesma frequência como nenhum poema diz realmente aquilo que literalmente queria-se dizer.  Nenhuma arma é karma, nenhuma flor só serve pra florir, nenhum mar é tão grande que não possa ser e-mar-anhado. Nenhum nem outro.  

Livre leve arbítrio

"Todo ser é livre pra ser;
é livre pra escolher
o que se quer ser
onde se quer estar
e com quem ou ninguém
deseja ser
mais feliz."

Duzíndio

Aracurimatança na mata
O pagéra o poder, guia tribo
nas margens do rio Purus
Eu sentei e te olhei.

A mata silvestre está longe
perto dela só gente de lá
aqueles que colhem,
e nela plantam
aqueles que brotam saber
em todas formas divinas
e só se preocupam em ter
harmonia e paz de espirito
do chão a terra
dela pro céu.

Multirões, cauins e assados
uma nova maloca se ergue
lá donde ha de morar
sinhá, iaiá e sinhô
mande oca ver,
mande oca vim ver
que bela maloca!

Redemoinhos


É de canto em cor
de coração, meus acordes
palavra encantada
de dor e alegria
paixão e nostalgia

No templo da paixão
foi onde minha rede atei
e de lá vi surgir
um caminho árduo
sem trilhas, sem guia
apenas pedra, areia e água

Vi solidificar as emoções
retratada em imagem e som
e de lá me fiz ouvir
me viz ver
que ao meu redor
não restava nada além
de redemoinhos ao vento.